Código de Ética no detalhamento de estruturas metálicas

Onde fui buscar um código de ética

Não temos no Brasil um código de ética para o detalhamento de estruturas metálicas, pois não existe uma associação que represente os profissionais e empresas. Fui buscar o material de hoje no NISD (National Institute of Steel Detailing) que é a associação americana. Recomendo visitar o site e ver um exemplo a ser seguido, com publicações, eventos e programas de certificação.

Não vou aqui copiar o código de ética, mas pontuar e comentar aspectos mais relevantes que acredito e que gosto de ver no nosso mercado.

Pontos relevantes do código de ética que devemos adotar em nosso dia a dia

  1. Fazer o seu melhor para preservar a integridade e dignidade do serviço de detalhamento e para protegê-lo de interpretações e entendimentos errôneos.
  2. Não medir esforços para entregar um serviço de qualidade e que seja adequadamente reconhecido.
  3. Cuidar para não prejudicar, direta ou indiretamente, a reputação e histórico de outros profissionais.
  4. Não divulgar informações sobre o projeto e negócio de seus clientes.
  5. Manter-se informado e estar continuamente se atualizando a respeito de técnicas, processos métodos e materiais disponíveis no mercado de forma a ser capaz de entregar o melhor serviço possível a seu cliente.
  6. Manter-se a par dos padrões e necessidades do fabricante, assim como deverá conhecer os equipamentos e métodos que o fabricante utiliza.
  7. Fornecer desenhos de fabricação precisos e diagramas de montagem da mais alta qualidade, buscando a eficiência e economia no detalhamento, fabricação e montagem.
  8. Informar o cliente de qualquer situação que na sua opinião possa colocar em perigo a segurança pública, independente se isto é ou não da responsabilidade do cliente.
  9. Informar o cliente sobre qualquer item solicitado pela engenharia ou cliente final que resulte em acréscimo de custos ou prazos.
  10. Enfatizar junto ao seu cliente a necessidade de ser avisado e consultado a respeito de qualquer problema que surja do detalhamento e da fabricação. Desta forma, poderá auxiliar na solução dos problemas de forma eficiente e ajudar a minimizar seu impacto.
  11. Deixar claro que o detalhamento será baseado exclusivamente no projeto básico e especificações, a não ser que tenham referências específicas ao projeto de arquitetura ou outros documentos.
  12. Sempre que possível, utilizar as formas padrão de contratação no mercado de forma que o fabricante seja conhecedor deste padrão e se acostume com ele.
  13. Cumprir todos os acordos contratuais e obrigações incluindo a obediência ao cronograma.
  14. Estudar o projeto básico e as especificações para assegurar que o detalhamento siga todas as recomendações e considerações da engenharia.
  15. Solicitar a aprovação da engenharia quanto a resistência de todas as conexões antes de iniciar o detalhamento, reconhecendo que a responsabilidade pela integridade e resistência da estrutura e conexões é de responsabilidade da engenharia.
  16. Cooperar com a engenharia, listado todas as informações faltantes necessárias para completar o detalhamento e requisitar isto o mais cedo possível.
  17. Informar a engenharia qualquer erro ou informação ambígua encontrada nos desenhos básicos descobertos durante o detalhamento. No entanto os profissionais de detalhamento não são responsáveis por encontrar erros e inconsistências.
  18. Em casos especiais receber informações de interface com outras disciplinas (equipamentos, tubulações, etc…), desde que estas informações sejam fornecidas de forma clara e em tempo hábil. O detalhamento não pode ser prejudicado e poderá solicitar compensação nos casos em que receber informações incorretas, não claras ou em atraso.
  19. Cooperar com todas as demais disciplinas ( concreto, equipamentos, tubulações, etc…) dentro do acordado com o cliente.

Separação clara de escopo : uma lição para o nosso mercado

As especificações do instituto reforçam o que discutimos nas diferenças entre projeto executivo e detalhamento. Nas publicações do instituto, nota-se a uma preocupação em separar claramente os escopos de trabalho e nota-se que o uso de arquitetura ou equipamentos é um caso especial. O NISD vai além e reconhece que esta extensão do trabalho gera responsabilidades, tempos e custos adicionais. A interface com outras disciplinas é algo que se deve ter conhecimento prévio e fazer parte da composição de preços do detalhamento.

Responsabilidade em encontrar erros no projeto básico

O Instituto também deixa claro em suas publicações sobre a responsabilidade em avisar sobre inconsistências, omissões ou informações aparentemente erradas no projeto. Aqui vejo uma postura de comprometimento com a obra, com o cliente e com a segurança de todos. A postura de detalhar o que está no projeto básico sem questionamento é, na minha opinião, reprovável. No entanto, fica claro que o detalhamento não é um verificador do projeto executivo, e embora possa encontrar erros não tem a responsabilidade por encontrá-los. Ou seja, detalhes que reproduzem erros do projeto executivo são erros de responsabilidade do projeto executivo.

Foco na solução e não no erro

Importante a postura de envolver o projetista quando ocorre algum erro durante a fabricação ou montagem, não só como ajuda na busca da solução, mas também para uma análise. Não são poucos os casos de erros de projeto que na prática são erros de interpretação ou execução. Nas recomendações do NISD, encontra-se inclusive o entendimento de que erros não reportados para o detalhamento não podem ser alvo de penalidades.

 

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